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NOTAM - 050 - 30/07/10



Celebramos a marca de 50 edições do NOTAM com um boletim dedicado aos destaques do 47º Salão Internacional de Aviação - Farnborough 2010.

CHINA NA FRENTE

Segundo a Embraer, a aviação comercial deve crescer em média 4,9% ao ano pelos próximos 20 anos, ou 2,7 vezes mais passageiros-milha voados que em 2009. A China deve continuar na liderança de crescimento com taxas anuais de 7,3%, seguida de perto pela América Latina com 6%. A África crescerá 5%; América do Norte e Europa, 3,5%. Ao final deste período, a Ásia, Oriente Médio e Oceania responderão por um terço das viagens globais. Já os países nos dois lados do Atlântico Norte passarão dos atuais 57% para 44% de todo o tráfego aéreo mundial.

BOEING ENXERGA 3,6 TRILHÕES

A Boeing não fez por menos: a fabricante estima a demanda mundial em 30.900 novos jatos de mais de 90 lugares nos próximos 20 anos, cujas vendas são avaliadas em US$ 3,6 trilhões. Destes, 21.160 terão entre 90 e 200 assentos.

EMBRAER FAZ CONTAS

A Embraer faz coro com o otimismo da Boeing e prevê que a frota mundial de jatos entre 30 e 120 assentos vai passar de 4.285 aeronaves em 2009 para 7.780 em 2029, sendo que nada menos que 6.875 jatos deste porte serão novinhos em folha.

ATR COMEÇA COM A DE AZUL

O maior contrato firmado por uma companhia brasileira em Farnborough foi também o mais surpreendente. A Azul Linhas Aéreas anunciou a compra de 20 ATR-72-600 ao valor de tabela de US$ 850 milhões, valor que inclui a opção de compra de mais 20 opções. Por essa ninguém esperava.

AZULANDO

O Presidente do Conselho da Azul, David Neeleman, explicou a lógica por detrás do anúncio: "Para que a Azul possa continuar oferecendo tarifas competitivas, ela precisa operar aeronaves que ofereçam custos baixos de operação, uma das vantagens dos ATR em relação aos jatos de mesma capacidade. Aeronaves turboélices consomem até 60% menos combustível que jatos em etapas curtas. Os ATR vão oferecer ligações convenientes e econômicas aos nossos clientes, chegando a um número maior de comunidades, muitas das quais mal servidas ou simplesmente desprovidas de transporte aéreo regular."

37 737

Os 737 continuam vendendo bem: a chinesa Okay Airlines arrematou 10 737-800 por US$ 800 milhões; a Norwegian Air Shuttle confirmou mais 15 737-800 de uma encomenda feita em 2007, e agora tem 59 por receber. Estas vendas animaram os executivos do fabricante, que anunciaram que o ritmo de produção mensal dos jatos da família 737, atualmente em 35 unidades, poderá ser elevado para 37 ao mês.

MAIS, EU QUERO MAIS

Para a Boeing, o primeiro grande anúncio em Farnborough foi a venda de 30 777-300ER para a Emirates Airlines (EK), em um negócio avaliado em US$ 9,4 bilhões. A EK, que é a maior operadora de 777 no mundo, com uma frota de 86 unidades, expressou claramente o desejo que a Boeing apresente novas versões do Triplo Sete. O presidente da Emirates, Tim Clark, afirmou que espera uma nova versão com pelo menos 50 toneladas de carga paga "Que seria muito bem vinda para que pudéssemos empregar o tipo em voos sem escalas de Dubai a Los Angeles".

VAI CONTANDO

As vendas da Airbus foram vigorosas. Foram 31 A320 e 20 A321 para a Air Lease Corp; a Aeroflot levou onze A330-300;a LAN encomendou 40 A320 e dez A321, ao preço de tabela de US$ 4,15 bilhões; a GECAS, depois de um bom tempo sem encomendar aeronaves, arrematou 60 A320; seis A330-200 foram pedidos pela Garuda Indonesia; a Thai Airways International fechou sete A330-300; do Kuwait a ALAFCO - Aviation Lease and Finance Co. - comprou 12 A350-800. A Germania confirmou cinco A319; a Virgin America assinou a compra de mais 40 A320 com 30 opções, negócio avaliado em US$ 3.3 bilhões.

A CRISE ACABOU

Com as vendas anunciadas no salão de Farnborough, a Airbus já revê para cima o número de encomendas para este ano. O fabricante aposta agora em 400 aviões vendidos, ante os 250-300 com que contava no começo do ano. Ao final do show, a Airbus oficialmente contabilizava 237 aeronaves vendidas a 20 clientes. "A recessão definitivamente chegou ao fim", comemorava John Leahy, o todo-poderoso Vice-Presidente de vendas do fabricante europeu.

OS 5 BI DA BE

Muita rolha de champagne voando no chalet da Embraer: abritânica FlyBE, que hoje opera com jatos Embraer 195, anunciou a encomenda de 35 Embraer 175, contrato avaliado em US$ 1,3 bilhão, mais opções de compra de 65 aeronaves e direitos para mais 40 unidades, em um acordo que potencialmente pode chegar a US$ 5 bilhões.

NÃO ESTICO MAIS

Ainda que não tenha feito anúncios de contratos significativos, a Bombardier afirmou não ter planos para "esticar" a sua família, a C Series, para além de 150 poltronas. O presidente da empresa, Gary Scott, afirmou que o tamanho ideal de seus novos modelos é mesmo entre 100 a 150 assentos, um mercado potencial de mais de 6.000 aeronaves avaliado em US$ 500 bilhões, afirmou o executivo. Ele não é bobo: quer evitar ao máximo peitar de frente a Boeing e Airbus.

OTIMISMO NO SOL NASCENTE

Do outro lado do planeta, mais precisamente no Japão, parece haver razões de sobra para mais otimismo. A Mitsubishi Aircraft espera abocanhar 20% do mercado de grandes jatos regionais pelos próximos 20 anos, ou aproximadamente 1.000 unidades de sua nova família, a MRJ, de acordo com seu Presidente, Hideo Egawa. O MRJ 90 fará seu primeiro voo em 2012 com primeiras entregas para a ANA em 2014.

SEM MEDO DE BRIGAR

Da Rússia surge mais uma família de aeronaves para competir no mercado de 150 a 180 assentos, hoje dominado pela Boeing e Airbus. A Irkut apresentou sua família MC-21 e aproveitou o salão britânico para divulgar o contrato com a Crecom Burj Resources, para de 25 encomendas MC-21-200 para 150 lugares e mais 25 opções para o MC-21-300, modelo alongado para 181 lugares. Segundo a própria Irkut, esta é a maior encomenda feita para aeronaves russas nos últimos 20 anos.

NAVALHA NA CARNE

Na área de Defesa, o tom do salão em Farnborough foi muito negativo. A afirmação do Secretrário de Defesa britânico, Liam Fox, não deixou dúvidas: "O governo precisa cortar gastos no setor de Defesa de modo dramático, pois não pode sustentar o luxo de ver múltiplas plataformas adquiridas e mantidas por décadas para cada tipo de missão". Fox afirmou que a Royal Air Force irá "Sofrer um cancelamento de programas e que não deverá manter mais do que dois tipos de aeronave para cada tipo de missão".

BAIÃO DE DOIS

O corte no orçamento de defesa britânico é estimado em 40%. Assim, já se comenta que a RAF terá apenas dois caças, o Typhoon e o F-35; dois helicópteros, o Chinook e o Puma (os Merlin seriam repassados à Royal Navy). E quanto aos transportes? Será a RAF a primeira parceira do programa A400M a cancelar seus 25 pedidos, mantendo apenas os C-130 e o C-17 que já opera? High Drama garantido.

URSO ESTREANTE

A estréia do Airbus A400M, o novo super cargueiro militar do consórcio europeu, roubou a cena. Batizado no salão de "Grizzly" em homenagem ao grande urso, já conta com encomendas de oito países para 184 unidades, que deverão ter suas primeiras entregas em 2012. É um atraso considerável de 3 anos ante às previsões originais. Sua carga máxima é de aproximadamente 31 toneladas com peso máximo de decolagem de 115.300kg.

RAIO CANADENSE

No setor de Defesa também fez-se a luz, a luz do raio. Comenta-se que o o Canadá será o próximo país a encomendar F-35 Lightining II. Seria um contrato para 65 unidades do F-35A, ao custo de US$ 8,5 bilhões. Sim, os números são estes mesmos que você acaba de ler.

LUZ VERDE

A Força Aérea Brasileira deu "green light" ao mais ambicioso projeto da Embraer em desenvolvimento: o multimissão militar KC-390. Com capacidade para mais de 23.6 toneladas de carga, o novo KC-390 pode ser configurado como cargueiro, transporte de tropas, avião-tanque, busca-e-salvamento (SAR) e resgate médico (MEDEVAC), apenas para citar suas principais papéis. A Embraer confirmou a encomenda de 28 aeronaves pela FAB, negócio estimado em US$ 1,3 bilhão.

NOVES FORA

Com todos os pedidos somados, a edição 2010 do Farnborough International Airshow fechou a conta com grandes negócios, totalizando 691 aeronaves pelo montante de US$ 53,9 bilhões. A Airbus vendeu 237 por US$ 21,8 bilhões; a Boeing, 190 jatos por US$ 23,3 bilhões; Embraer, 191 aeronaves por US$ 7 bilhões. Nada mau.

SHUT DOWN

"A recessão definitivamente chegou ao fim."

John Leahy, Vice-Presidente de vendas da Airbus.

Gianfranco Beting

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