Copa 758: GRU-PTY
Uma impassível lua cheia brilhava sobre o terminal 2 de Guarulhos. O ingrato horário, quase duas horas da matina, conferia um ar estranhamente deserto ao terminal. A única excecão era justamente as posições de check-in para o vôo Copa 758, non-stop para o Panamá. Viajaria na Clase Ejecutiva. Desta forma, não tive de enfrentar filas e em minutos lá estava eu, checadinho da Silva, com meus dois boarding passes até meu destino final, a cidade de Orlando, Florida. Fácil, fácil.
Como passageiro da Ejecutiva, fui convidado a aguardar o vôo na sala VIP Doméstica da Varig. Espaço espartano, cadeiras pouco confortáveis e limitada seleção de bebidas, snacks e até mesmo material de leitura. Assim mesmo, melhor do que esperar no saguão.
Fomos chamados as 03h15 para o embarque, que procedeu ordeanadamente. Ocupei a poltrona 3A, última fileira da Ejecutiva, que estava completamente lotada. Poltronas espaçosas, em couro azul-marinho. Pelas seis hopras seguintes, esta seria minha "cama".
O vôo foi operado pelo 737-700 HP-1579CMP. Entregue novo de fábrica à Copa, em 31/10/2002, estava bem conservado e limpo por dentro. Seus 124 assentos, sendo 12 na Ejecutiva e 112 na econonômica, estavam quase todos ocupados.
Nosso push-back do portão 24, gate I09, deu-se as 03h51, onze minutos depois do ETD. Mais sete minutos, rumávamos para a cabeceira 09, de onde decolamos precisamente as 04h00. Subimos em cumprimento à SID Congonhas Uno, com curva à direita. Tempo estimado de vôo de 06h29. A noite, cristalina, permitiu-me ver toda a cidade, deserta àquela hora. Próxima parada, Panamá.
Antes de partirmos, um simpático comissário veio oferecer uma refeição a ser servida 30 minutos após a decolagem. Declinei. Estava cansado demais para esperar pelo repasto, que prometia duas opções de pratos quentes. Encontrei um kit básico com tapa-ouvidos, escova de dentes e pasta dental, tapa-olho e meias. Acomodei-me em relativo conforto na poltrona e, morto de cansaço (estava acordado há quase 22 horas) apaguei.
Pelas quatro horas seguintes, o 737 atravessou toda a América do Sul. Já era dia claro quando o cheiro de comida despertou-me. Dos monitores instalados no teto da aeronave, os passageiros podiam acompanhar o filme Kung Fu Panda. O mesmo comissário, sempre muito solícito, passou oferecendo café da manhã. Novamente, duas opções de pratos quentes. Fiquei com uma torta-omelete, saborosa. De resto, estava tudo muito bem apresentado: sem desperdícios, sem exageros. Serviço na medida certa, bebidas idem.
O solícito comissário passou duas vezes servindo bebidas e rapidamente retirou a bandeja, tão logo terminei. Mantendo 39.000 pés de altitude, o Boeing cruzava serenamente quando iniciamos a descida rumo ao Aeroporto de Tocumen. Pousamos com suavidade as 10h32, horário de Guarulhos, ou 08h32, horário local, e logo estacionávamos no portão 17. Tempo total de vôo: 06h32.
Copa 478: PTY-MCO
Meu destino final naquela jornada era Orlando, Florida. Viajando a trabalho, sem possibilidade de perder tempo ou uma conexão, opptei pelo serviço da Copa. Em primeiro lugar, pois o horário de partida permitiu-me trabalhar na véspera normalmente, voltar para casa e partir sem pressa, sem enfrentar congestionamentos. Mas, sobretudo, porque fazer conexões em Tocumen é a coisa mais fácil e descomplicada que existe. Mesmo.
Em primeiro lugar, não há necessidade de passar pela imigração. Nem checar bagagens. Eui, que só levava mala de mão, teria liberdade total para perambular pelo pequeno terminal. Isso acabou não sendo necessário: o vôo CM478, entre Panamá e Orlando, sairia do portão exatamente ao lado de onde havia chegado, no gate 17. Ou seja: se andei 100 passos em minha curta estada no Panamá, foi muito. A Copa deve ser a empresa aérea com um dos mais simples, simpáticos e ágeis hubs do mundo, que a companhia batizou de "Hub de Las Americas". Merece.
Sendo assim, pouco mais de 40 minutos após aguardar na sala de embarque, lá ia eu novamente para outro 737 da companhia. Desta vez, a máquina em questão era um 737-800. HP-1582-CMP. Novinho, aeronave entregue em outubro de 2003, acomodei-me novamente na poltrona 3A. Neste caso, a configuração interna apresenta mais 2 assentos na Ejecutiva: total 14, mais 141 na econômica.
Nosso vôo não saiu no horário previsto somente porque um passageiro acabou tentando conseguir um up-grade na base do jeitinho, fazendo-se passar port alguém que havia comprado biulhete na executiva. A farsa levaria algum tempo para ser desmontada e, contrariado, o distinto foi lá para trás. Antes, porém, criou tamanha confusão a bordo que agentes de solo tiveram de entrar para resolver o impasse. O vôo 478 acabou por ter seu push-back iniciado as 10h12, novamente 11 minutos depois do previsto. Taxi iniciado para a pista 03L as 10h16, decolamos as 10h20, subindo em meio à pesadas formações de CBs, muito comuns no Panamá. Os passageiros da Ejecutiva foram, como no primeiro vôo atendidos por um comissário. Este, porém, não se mostrou solícito, simpático como seu colega no trecho entre Guarulhos e Tocumen.
Assim mesmo, foi profissional por todo o vôo. Após estabilizarmos a 38 mil pés, ofereceu bebidas, servidas juntamente a um pratinho de castanhas sortidas. Então veio oferecer duas opções de almoço: ravioli de queijo ou um wrap de presunto e queijo. Na bendeja, dois cookies e uma saladinha, de função meramente decorativa, pequena demais para ser levada à sério. Ok, sem queixas.
Novamente o sistema de entretenimento exibiu um filme de longa metragem. Ainda cansado, tirei mais uma pestana. Acordei com a aeronave iniciando sua descida rumo ao aeroporto de Orlando. A recente passagem da tempestade Tropical Fay, quase um furacão, deixava toda a área central da Flórida sob a ação desta severa atividade. Na véspera, chuvas torrenciais inundaram a região. O tempo, muito instável, dificultava a pilotagem. O 737 sacudia em meio à pesadas formações. E assim foi até pousar. Aliás, o comandante merece os parabéns. Rajadas de 25 nós de intensidade tornaram a manobra de pouso algo extremamente trabalhoso. O 737 balançava muito, mantendo o glideslope com muita dificuldade. Foi muito interessante ver o trabalho todo que São Pedro deu ao piloto do Copa 478. Chegamos afinal as 14h16, quatro minutos antes do horário publicado de nossa chegada. Cheguei relativamente descansado, o que pode na verdade ser o maior cumprimento que uma companhia pode receber.
Avaliação: notas vão de zero a dez.
1-Reserva: Sem nota.
Feita através de agência de viagem.
2-Check-In: Nota 9.
Além da eficiência, relativa simpatia.
3-Embarque: Nota 10.
Tranquilo, ordenado, como deve ser.
4-Assento: Nota 8.
De couro, configuração 2+2. Confortáveis, pitch correto. Poderia ter um apoio para os pés.
5-Entretenimento: Nota 8.
Seleção musical com 9 canais, vários curtas e um longa-metragem.
6-Serviço dos comissários: Nota 7.
O primeiro foi melhor que o segundo.
7-Refeições: Nota 7.
Corretas para o horário. Faltou mesmo foi um cardápio impresso. A seleção de vinhos deixou a desejar.
9-Necessaire: Nota 8.
Simples, básica para uma Classe Executiva. Muito melhor do que nada.
10-Desembarque: Nota 10.
Rápido e organizado, com vários monitores coordenando passageiros em conexão, como eu. Atitude profissional, prestativa e serena das equipes de terra.
11-Pontualidade: Nota 10.
Um dos pontos altos da Copa.
Nota final: 8,40
Comentário final: Continuo fã da Copa. A atitude dos colaboradores da empresa tem sido sempre positiva e, sobretudo, profissional. As aeronaves estavam bem conservadas. Foi fácil comprar, mais fácil ainda fazer conexão. O horário dos vôos permitiu-me trabalhar normalmente e maximizar meu tempo em solo. Enfim, repito o que disse em um dos Flight Reports anteriores: a Copa merece ser considerada como uma ótima opção para viagens pelas Américas do Norte, Central e Caribe.
Gianfranco Beting
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