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Aviação Militar
Nimrod: O patrulheiro dos mares da Rainha - Parte 1



Enraizada na história da Inglaterra está a relação única de seu povo com os mares. Quando os submarinos do bloco soviético tornaram-se uma ameaça real e constante, durante a Guerra Fria, coube ao Nimrod, o Poderoso Caçador da mitologia, proteger os mares da Rainha.

Comet: Fênix dos mares

Em 1957-58, fabricantes britânicos se interessaram pela competição da OTAN para uma aeronave de reconhecimento marítimo que substituísse os antigos Lockheed P-2 Nepture. Apesar da concorrência ter sido ganha pelo Breguet Atlantic, a Avro desenvolveu uma versão modificada do Atlantic, o Avro-Breguet Atlantic 2A, com dois motores a jato RB.153-61 instalados sob as asas e tanques de combustível na ponta das asas. Esse projeto não deu em nada, e foi substituído pelo Avro 776, proposta baseada em uma fuselagem modificada do Trident, que poderia atender às futuras necessidades da RAF.

Em 1963 a RAF emitiu o requerimento OR.357 para substituir o Shackleton: a aeronave deveria ter três ou mais motores (jato ou turboélice), ter velocidade de cruzeiro de 400 nós ou mais e ter entre 8 e 12 horas de autonomia. O Avro 776 parecia ser exatamente o que a RAF precisava mas, como tornou-se comum na história dos requisitos aeronáuticos da RAF, em junho de 1964 um novo requerimento foi emitido e, aparentemente a Hawker Siddeley, que na época controlava a Avro, simplesmente não foi avisada. Em apenas sete dias a equipe de projetos desenvolveu uma nova aeronave, utilizando como base o Comet 4C e os motores RB.168.

Foi assim que começou a vida do Nimrod: como o Hawker Siddeley 801, uma versão de reconhecimento marítimo do de Havilland Comet, planejada para substituir a envelhecida frota de Avro Shackleton MR.Mk 3 do RAF Coastal Command. Os desenvolvimentos se deram início em 1964 e dois Comet 4C foram convertidos para protótipos. Uma lança MADfoi adicionada ao cone da cauda, um radar de busca foi colocada no nariz e um radome de equipamento de guerra eletrônica (apelidado de "bola de futebol") foi colocado no topo do leme, extensivamente redesenhado. Uma nova seção inferior foi adicionada à fuselagem, para acomodar o compartimento de armas, dando ao Nimrod sua fuselagem característica de "duas bolhas". O primeiro protótipo estava equipado com quatro motores Rolls-Royce Spey e voou pela primeira vez em 23 de maio de 1967, servindo como banco de testes aerodinâmico e integração entre motor/fuselagem. O segundo protótipo manteve os motores Avon originais e voou em 31 de julho do mesmo ano, servindo como base para os testes eletrônicos.

O primeiro dos 46 Nimrod MR.Mk 1 de produção voou em 28 de junho de 1968, entrando em serviço em outubro de 1969, eventualmente equipando cinco esquadrões, inclusive um baseado em Luqa, em Malta. A retirada dos britânicos de Malta tornou os últimos oito aviões redundantes, e não foram colocados em serviço. Cinco foram transferidos para a RAF e os outros três foram retidos pela BAe para testes, mas sua vida operacional foi curta, já que sete foram selecionados para serem convertidos em modelos AEW.Mk 3, junto com outros quatro MR.Mk 1. Todas essas aeronaves foram desperdiçadas, já que o Nimrod AEW.Mk 3 nunca entrou em produção, por inúmeros problemas técnicos, e todos, com exceção de um, foram destruídos.

A partir de 1975, os 35 MR.Mk 1 disponíveis foram atualizados para o padrão MR.Mk 2, o primeiro sendo entregue para a RAF em agosto de 1979. O Mk 2 tinha uma suíte de aviônicos e equipamentos completamente nova, na qual a grande maioria dos principais sensores e equipamentos foi substituída. A aeronave recebeu um sistema tático central novo, baseado em um novo computadore e três processadores para os sistemas de navegação, radar e sensores acústicos. O antigo radar ASV-21D foi substituído pelo Thorn EMI Searchwater, que apresentava um display colorido. Os sistemas acústicos agora eram compatíveis com sonobóias ativas e passivas modelo Ultra, além de outras melhorias.

A adição de uma sonda de reabastecimento aéreo (inicialmente em 16 unidades para a Operation Corporate), mudou a designação da aeronave para MR.Mk 2P e necessitou a instalação de pequenas aletas acima e abaixo dos profundores. A Guerra das Falkland também resultou na instalação de cabides para armas embaixo das asas, dando ao Nimrod certa capacidade de auto-defesa, através de mísseis ar-ar AIM-9 Sidewinder, ou missões anti-navio, com mísseis Harpoon, torpedos Stingray, bombas ou cargas de profundidade. Nas pontas das asas foram instalados, posteriormente, pods de ESM (Medidas Eletrônicas de Suporte) e, eventualmente, todos os aviões tiveram instalados uma sonda de reabastecimento.

Para a Operação Tempestade do Deserto, os aviões foram modificados para o padrão (não oficial) de MR.Mk 2P(GM) (Gulf-Mod), com a instalação de um FLIR na asa direita, pods de chaff/flares e toyed-decoys.

Veja mais sobre a história do Nimrod na segunda parte dessa matéria!



























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