Giovanni Bisignani, diretor geral da IATA (International Air Transport Association ou Associação Internacional de Transporte Aéreo), que congrega 240 companhias aéreas advertiu que a crise do setor poderá aumentar no segundo semestre deste ano se o preço do petróleo continua a subir.
De acordo com Bisignani, "o setor está atualmente em uma situação muito séria, provocada em grande parte pelo estrangulamento provocado pelo aumento do preço do petróleo para as companhias aéreas. Trata-se de uma crise que afeta tanto o faturamento quanto os custos, e pouco mais se pode fazer, porque as companhias aéreas já cortaram muito em alguns setores."
Nesse sentido, Bisignani chamou a atenção sobre a preocupação de todos sobre a situação atual e, sobretudo, qual o grau de dificuldade que a crise trará logo após a temporada de verão no Hemisfério Norte, quando começará a preparação para o verão ao Sul do Equador.
"Agora", ele disse, "todas as reservas que foram feitas nos meses anteriores para estas férias não foram canceladas, mas, em setembro, quando na Europa e nos Estados Unidos se reiniciar o ciclo anual de viagens de negócios e, no Sul começarem a ser planejadas as férias de verão, veremos muitos problemas para as companhias aéreas, as quais poderão se ver forçadas a diminuir as suas capacidades".
Isso está acontecendo nos Estados Unidos com a United Airlines e com a Continental Airlines, mas também na Ásia, embora em um nível menor.
Céus abertos, uma necessidade urgente
Bisignani é um ardoroso defensor da política de céus abertos, considerada por ele como de capital importância, tanto na Europa, quanto nas Américas.
O responsável pela IATA lembrou que essa medida, além de melhorar as capacidades das companhias aéreas, será muito positiva para o meio ambiente. Referindo-se a esse assunto, Bisignani chamou a atenção para o fato de que no ano de 2007, as companhias aéreas conseguiram diminuir as emissões de CO2 em 10,5 milhões de toneladas, o que representou uma economia de aproximadamente US$ 2,1 bilhões. Também lembrou que esse acordo traria importantes benefícios para os passageiros, pois haveria menos atrasos e eles teriam de passar menos tempo dentro dos aviões à espera da decolagem, o que permitiria às companhias aéreas membros da IATA, cerca de US$ 5 bilhões.
O principal responsável pela IATA reconheceu, entretanto que "o único que nós não podemos enfrentar é um aumento tão rápido do preço do petróleo, embora a indústria aeronáutica esteja desempenhando um importante papel na globalização".
"O papel dos governos", disse Bisignani, "é fundamental para que as companhias aéreas possam diminuir seus custos operacionais utilizando infra-estruturas de bom nível. A IATA considera que, atualmente, o preço do combustível não reflete seu verdadeiro valor, e é tarefa dos governos analisar detalhadamente o que está acontecendo, pois há muita especulação no contexto atual do setor".
Por outro lado, Bisignani lamentou o fato das soluções tecnológicas não estarem diretamente vinculadas a governos, e que só sejam decisões relativas ao gerenciamento das companhias aéreas para assegurar a sua eficácia.
Ele afirmou também que na difícil situação que atravessa o setor, é necessário procurar soluções no âmbito da tecnologia da informação, que possam oferecer rápidos benefícios aos preocupantes balanços das companhias aéreas, ou que possam fornecer ferramentas extras para facilitar a economia em áreas críticas, com o as operações aéreas ou o querosene.
Bisignani lembrou casos passados, como o protagonizado pelo governo britânico, quando aprovou uma taxa meio-ambiental que rendeu um milhão de libras, mas o dinheiro, em lugar de ser utilizado na plantação de novas árvores, foi destinado a resolver problemas orçamentários, uma medida que, nas palavras do diretor da IATA foi "injusta, nada correta e inaceitável".
Na mesma linha pode ser catalogado o caso do governo francês, o qual propôs uma taxa para os países em desenvolvimento, uma idéia sem sentido e fora da realidade industrial.
Outro importante assunto ao qual devem prestar atenção os governos é, segundo Bisignani, a necessidade de acabar com as regras de jogo da aviação comercial, as quais foram aprovadas na Convenção de Chicago, realizada há 45 anos, quando se voava em aviões a pistão Douglas DC-3 com pouco mais de 20 lugares, e não nos atuais enormes jatos como os Airbus A380 que transportam mais de 500 passageiros.
"Temos o direito a funcionar a partir de uma nova base, a desaparecer, se não formos capazes de manter um modelo de negócio que dá dinheiro, ou a se consolidar se tudo der certo", afirmou Bisignani, "o mundo mudou nos últimos 60 anos, mas há muitos que não o percebem."
Por isso, ele fez um apelo para que sejam eliminados os obstáculos que atrapalham, entre outras coisas, os investimentos globais do setor, aos quais somam-se 1.200 novos aviões a cada ano.